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Saúde e Segurança

Nova NR-1: sua empresa está preparada para gerenciar os riscos psicossociais?

Escrito por Daiana Coutinho

Profissionais analisando os requisitos da Norma Regulamentadora número 1

Quando se fala em segurança do trabalho, muitas empresas pensam logo em equipamentos de proteção, prevenção de acidentes e exames médicos. Mas a atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1) ampliou esse olhar e trouxe uma exigência que muitas organizações ainda não colocaram em prática: a gestão dos riscos psicossociais.

Com a fiscalização já em vigor, empresas que não se adequaram estão expostas a autuações e a um passivo trabalhista que pode crescer rapidamente.

O que é a NR-1 e o que mudou

A NR-1 estabelece as regras gerais de segurança e saúde no trabalho e exige que toda empresa mantenha o Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO), documentado no Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR).

Com a atualização feita pelo Ministério do Trabalho e Emprego, o PGR passou a incluir, de forma expressa, os fatores de risco psicossociais relacionados ao trabalho. Isso significa que, além dos riscos físicos, químicos, biológicos e de acidentes, a empresa precisa identificar, avaliar e controlar situações que afetam a saúde mental dos colaboradores.

O governo concedeu um período inicial de caráter orientativo para as empresas se adaptarem, e a fiscalização com aplicação de penalidades passou a valer em maio de 2026.

O que são riscos psicossociais

Riscos psicossociais são fatores ligados à organização e às condições do trabalho que podem causar estresse, adoecimento mental e até problemas físicos. Alguns exemplos comuns são:

  • Sobrecarga de trabalho e metas incompatíveis com os recursos disponíveis.
  • Jornadas excessivas e dificuldade de desconectar fora do expediente.
  • Pressão constante e cobranças desproporcionais.
  • Falta de clareza sobre funções, responsabilidades e expectativas.
  • Conflitos, assédio moral ou sexual no ambiente de trabalho.
  • Baixo reconhecimento e pouca autonomia.
  • Insegurança quanto ao emprego ou a mudanças na empresa.

Esses fatores estão presentes em praticamente todos os setores, do escritório à indústria, e impactam diretamente produtividade, clima organizacional e rotatividade.

Os riscos de não estar adequado

Ignorar a nova NR-1 pode gerar consequências em várias frentes.

  • Autuações e multas: a ausência de PGR atualizado, com inventário de riscos e plano de ação que contemplem os fatores psicossociais, pode resultar em autuação pela fiscalização do trabalho.
  • Ações trabalhistas por doença ocupacional: casos de ansiedade, depressão e burnout vêm sendo cada vez mais reconhecidos como relacionados ao trabalho. Sem um PGR que comprove a gestão desses riscos, a empresa fica sem defesa e pode ser condenada a pagar indenizações por danos morais e materiais.
  • Aumento de custos previdenciários: afastamentos por doença relacionada ao trabalho podem elevar o índice do FAP, que impacta a contribuição previdenciária da empresa. Em casos de negligência, o INSS ainda pode cobrar da empresa os valores pagos ao segurado por meio de ação regressiva.
  • Perda de produtividade e talentos: afastamentos, faltas e alta rotatividade geram custos com substituição e treinamento, além de afetar a reputação da empresa como empregadora.

Como se adequar

A adequação à NR-1 envolve algumas etapas principais:

  1. Revisar o PGR atual e identificar o que falta em relação à nova redação da norma.
  2. Mapear os fatores de risco psicossociais de cada área e função, com participação dos trabalhadores.
  3. Atualizar o inventário de riscos e definir um plano de ação com medidas concretas, responsáveis e prazos.
  4. Treinar gestores e lideranças para reconhecer sinais de sobrecarga e agir preventivamente.
  5. Revisar políticas internas, como canais de denúncia, prevenção ao assédio e regras de jornada.
  6. Acompanhar e documentar os resultados, mantendo tudo pronto para uma eventual fiscalização ou processo.

O ponto central é que a norma não exige apenas um documento bem escrito. Ela exige gestão real, com evidências de que a empresa acompanha e age sobre os riscos.

Na C&S, acompanhamos de perto as mudanças na legislação trabalhista e ajudamos empresas a se adaptarem com segurança.

Autoria

Daiana Coutinho

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